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11
ago
2011

Estudar vale a pena


Eu lembro de brincar de ler. Eu lembro de tardes sentada na mesa, fazendo lição. E do prazer de ler livros – não só os indicados pelos professores. A grande graça de estudar, de descobrir como é mesmo que funciona o organismo, como um átomo forma matéria, como velocidade e massa se combinam quando em movimento. Embora seja moça das “humanas” sempre gostei do prazer de acertar no resultado da equação; descobrir os princípios da física e da química; brincar com as possibilidades da genética.

Não acreditem que só quem está na escola estuda. A escola pode (e deve) ser um dos lugares. E a família é outro. Assim como o trabalho e a internet. E o seu jogo preferido. E aquela lista de discussão. A lista não acaba, gente. Muito além dos ambientes projetados para “aprender”, o ser humano pode se fazer curioso e buscar respostas para as suas perguntas. Com alegria, sem o juízo de valor do certo-errado, compartilhando descobertas e conversando com nossos pares neste mundo.

Acho que é exatamente deste lugar que vem a alegria que tive ontem, no metrô, voltando de um dia cansativo para casa. Eu, infelizmente, estava sem nenhum livro pra ler. Mas o moço do outro banco estava lá com o seu exemplar de Moby Dick (obviamente em inglês) e eu comecei a lembrar da história. Na próxima estação, uma moça simpática sentou do meu lado com um exemplar de Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino. Um livro-delícia, que ganhei de aniversário da minha mãe. E ela contou da agonia de ter só mais uma página e meia e terminar o livro (que eu também sinto com os meus livros queridos), o que ela fez ao meu lado. E quando ela acabou, a gente sorriu e falou de livros. E, assim que saí do metrô, comprei A Viagem do Elefante, do querido Saramago, para me inspirar na minha jornada escrevinhante reinante.

É uma pena que no Brasil a gente gaste muito dinheiro com procuradores, prefeitos, vereadores, deputados. E a gente não paga o que deve aos professores. Nem incentiva o uso das bibliotecas. Estudar vale a pena. Muito. Mais que boas notas, vale boas conversas, vale saber o que realmente importa para um determinado assunto – e conseguir formar um raciocínio só seu. E isso vira aquela palavra que está em processo de desgaste absoluto: inovação.

Muito boa a ideia de fazer uma blogagem coletiva sobre Estudar vale a pena. O que você aprende vale a pena até pra jogar fora o que você estudou – e começar tudo de novo. Porque, para mim, a grande verdade é que a gente passa a vida aprendendo: como comer, como emparceirar, como trabalhar… são tantos comos que a gente aprende…

E, claro, o que vale mesmo, não é estudar: é aprender!!! E a gente não aprende só o conteúdo que o professor transmite na sala de aula, os exercícios. Aprender é investigar e leva à descoberta do mundo e de si mesmo. Gera consciência. Permite que a gente possa assumir causas como não usar sacola plástica para as compras. Ou deixar de usar carro. Ou ler até bula de remédio. Ou simplesmente escolher cursos livres, absolutamente fora da sua área, de onde você tira inspiração permanente para viver.

Eu tanto acho que aprender vale a pena que passo o dia com a mesma atitude que sempre tive na escola: ouço, pesquiso, escrevo, busco mais informação. Porque estudar é uma atitude, um jeito de estar no mundo, uma curiosidade jamais saciada. É o que permite ver estrelas – e navegar na poesia.

P.S. 1: não dá pra não dizer aqui da gratidão eterna ao meu pai e à minha mãe, que deram a maior força pra eu ser a eterna aprendiz que sou. Este post é para eles – e para todos os muitos professores queridões que tive: Lucy, Marcelo, Samuel, Maria Lucia (que me deu minha primeira gata preta), Regina Favre (ainda ensina, né, Rê?).

P.S.2: alô alô galera da blogagem coletiva. Estudar ou aprender é que vale a pena? Eu sei que é para combater a evasão da escola, mas o buraco tá mais embaixo, não?

Foto do destaque: chop1n, CC-BY-NC


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