26
Jul
2009

Comunicação com blogs

Imagem: Fail Road, por fireflythegreat no Flickr

Para quem não sabe, eu tenho uma longa carreira como jornalista, em que já fiz de tudo: rádio, TV, jornal, revista, internet e, horror dos horrores, assessoria de imprensa. Explico: eu sou uma mulher bastante simpática e comunicativa, mas detesto o trabalho das assessorias como é feito hoje. Se você não entende nada do assunto e quer saber mais, sugiro que faça uma longa visita ao Pérolas das AIs, mantido pelo Edu Vasquez.
A vida mudou, eu escrevo quase nada para impressos nos dias atuais. Só que a internet – e os blogs – também estão na mira das tais assessorias. Que, na sua gigantesca maioria, não têm a menor idéia de como funciona a cabeça de blogueiros não jornalistas, nem imaginam como se apresentar ou ao produto que querem nos “vender”.

Por isso, consultei alguns amigos mais chegados para saber o que acham dos releases que recebem em suas caixas de entrada.Lu Monte (Dia de Folga, Cadê o Atum, Deusario):
Você recebe releases? Quantos por semana?
LM: Eu recebo pouco – um por semana, acho.
O que faz com eles?
LM: Pra não ir pra lixeira sem pensar duas vezes, tenho que achar (no mínimo ACHAR) que o contato é pessoal, e não mala direta. E tem que ser algo interessante pra mim e pros leitores. De preferência, algo que eu possa testar/visitar.
O que acha da prática?
LM: Primeiro: não, não faço propaganda pros outros de graça. E acho que nunca terei um contato de assessoria razoável. :P .
Observação: na semana seguinte, a Lu recebeu uma mensagem personalizada de uma assessoria, divulgando um projeto do qual ela gostou. Detalhe: apesar de ter mostrado o contato e o blog para a sua amiga aqui, a Lu ainda não publicou o trem – nem divulgou em nenhuma lista de discussão.

Ricardo Cobra (Homem na Cozinha, Blog do Cobra)
Você recebe releases? Quantos por semana?
RC: média de 10
O que faz com eles?
Os interessantes eu vou atrás, mas não recebi nenhum que me fizesse sair do padrão de publieditorial do blog.
O que acha da prática?
RC: Dos relevantes, eu gosto; odeio spam, p.exemplo, um assunto que não tem nada a ver comigo ou excessivos (frequentes falando de tecnologia.)

Manoel Netto (Tecnocracia)
Você recebe releases? Quantos por semana?
MN: Recebo uns 10 por semana
O que faz com eles?
MN: A maioria vai pro lixo. Se me interesso, vou atrás. Se for bacana e relevante pro meu blog, publico ou guardo pra publicar (e acabo não publicando)
O que acha da prática?
MN: Gosto. Se for ruim, só me gasta um clique pra ir pra lixeira.

Gilberto Knuttz Soares (Cybervida, Ueba)
Você recebe releases? Quantos por semana?
Sim, recebo releases, mas não sei quantos, tem semana que chegam 10, tem semana que não chega nada.
O que faz com eles?
Gosto de receber, um clique e os que não me interessam voam… Eu também filtro tudo que vem com os termos “release” “lançamento” para uma caixa separada, e só vejo quando tenho tempo…
O que acha da prática?
Publico algum material, geralmente os que são de ativismo e/ou que apresentam serviços interessantes, às vezes, de produtos.

Update:

Recebi esta semana uma conversa inteirinha da Raquel Camargo. Vai virar novo post, só para provar que falta muito bom senso para fazer ações com blogs.

Conclusões
Quer se comunicar com blogueiros? Faça direito ou cale-se para sempre. De dez releases nenhuma publicação é #FAIL, concordamos? Para mim, a maior diferença entre um blogueiro e os jornalistas é que os primeiros não têm compromisso de publicar o que não gostam, não querem, não os encanta – coloque nos comentários o que mais quiser ou achar. Mais: quem já tem um blog há dois ou mais anos tem uma rede de relacionamento que costuma alimentar e refrescar seu blog. Ela está espalhada por aí, nas mais diversas ferramentas. Se você é um “assessor de comunicação”, como definiram outro dia numa lista de profissionais da área, tem obrigação profissional de não só conhecer estas ferramentas, como estar nelas, ter reputação e ser suficientemente inteligente para conquistar os nossos olhos com informação relevante, interessante e que possa ser testada pelo amor…

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  • http://tecnocracia.com.br Manoel Netto

    Talvez a grande diferença entre blogs e outros veículos de imprensa, e que ainda as assessorias não sacaram, está na motivação.

    Um jornal PRECISA das informações para publicar, afinal o papel dele é informar, estar sempre com notícias atualizadas para oferecer aos seus leitores, sejam online ou offline. Para esses veículos (incluindo portais de notícias e algumas revistas online) o release é muito importante e serve de base para o profissional escrever (muitas vezes sobre o que não sabe) a nota.

    No caso de um blog, onde não há a urgência pela informação, onde o mais importante é o compartilhamento da experiência do autor, não vale a pena transcrever releases sobre um lançamento de livro que não tenha lido e possa opinar, um produto novo do qual nunca tinha ouvido falar, um serviço recém-lançado sobre o qual ainda não tem nenhuma opinião formada.

    Você quer que um blogueiro fale sobre seu assunto? Ofereça-o a experiência do produto / serviço. Ele fará isso com prazer e de graça, porque afinal, além da experiência você o estará brindando com pauta.

    Beijos, Lu. Saudade de você.

  • http://ecobriefings.com/ André Delacerda

    Se for release de empresa, devo informar que não trabalho somente de graça, e estaria disposto a uma colaboração.
    Como funciona isso?
    Beijos,
    André

  • http://idadeativa.wordpress.com/ Luciana Bruscalin Aidar

    Eu enxergo isso assim:
    Numa ponta está o cliente da assessoria está louco por uma alternativa mais econômica para divulgar o seu produto/serviço. Logo, não precisar dar nada ao blogger e ter seu produto divulgado, seria o céu! No mínimo, na outra ponta a assessoria vende essa idéia ao cliente.
    Na outra ponta, o blogger, que aceitaria de bom grado, ao menos, o produto para experimentar e – se quiser – escrever sobre o mesmo, fazê-lo com propriedade.
    No meio dessas pontas, a ponte: As assessorias. Que na sua maciça maioria, trabalham de uma maneira totalmente equivocada, fazendo spams de releases e esperando por milagres.
    Seria muito mais íntegro dizer ao cliente a realidade: Isso não traz resultado (e as assessorias sabem!!!). A comunicação possui outras ferramentas mais eficientes para esse objetivo. Mas o cliente precisa estar disposto a gastar… Só mais um pouquinho…

  • http://dorescapitais.wordpress.com RC

    Eu recebo releases, mas, pelo tema, não consigo nem entender por que vêm para mim….

    • http://www.ladybugbrazil.com Lucia Freitas

      @Netto Saudades também. Nem parece que a gente mora na mesma cidade, céus! E tuas colocações são perfeitas: sem encantar, engajar ou cuidar, nenhum blogueiro olha para um produto.
      @Luciana Nenhuma empresa quer gastar um pouquinho mais em comunicação. Enxugar custos é seu mote eterno. Mesmo que só funcione contra elas.
      @ André você mesmo respondeu à sua pergunta. Basta prestar atenção.
      @RC bem-vindo ao clube. :D Juro que acho que ninguém nem olhou para o blog quando recebo alguns…

  • http://www.forgetaboutit19.blogspot.com Ary Filgueiras

    Eu sou jornalista e assessor de imprensa e penso da seguinte forma: os trabalhos não se diferem. Todos fazem parte de uma mídia denominada espontânea. Quem recebe só publica se achar legal, se achar notícia, se achar relevante para os seus leitores.

    O que os clientes devem saber é que não há garantia de publicação. O que os assessores devem fazer é estar muito antenados para direcionar as informações interessantes para o veículo certo. Se é uma notícia enviar para jornalistas, se é um fato ou alguma ação bacana e relevante que interesse a algum blog divulgar, deve ser negociada com blogueiros.

    É preciso saber sobre cada espaço de divulgação. Existem jornalistas que publicam o que gostam, mas existem jornalistas que publicam o que é de fato notícia. Tem jornalistas que publicam por obrigação, tem os que publicam por acharem interessante e assim são também os blogs.

    O fato é que a forma é que muda. Os releases dão somente a entrada no trabalho de divulgação e mesmo com as novas mídias o bom assessor conversa, interage e não espera o que vai acontecer.

    • http://www.ladybugbrazil.com Lucia Freitas

      Ary
      É mais ou menos isso mesmo o que disse no artigo. A grande questão, acho, é que nem sempre os assessores têm a experiência e muito menos o conhecimento do que se transformou a internet hoje. As possibilidades de comunicação se ampliam enquanto os profissionais (me parece) continuam a pensar como no século passado.
      Pura intuição… eu nem tento explicar para certos assessores o que é twitter – dá uma preguiça.

  • http://filmesdatv.com Filmes da TV

    Hoje em dia talvez seja mais eficiente deixar um comentário (pertinente, claro) no blog da pessoa sobre o produto/notícia. A propósito, Joaninha, queres falar sobre o meu site não? Kkkkkk

  • http://www.forgetaboutit19.blogspot.com Ary

    Hahahahahhhahaahahah…..Imagino Lúcia

  • Pingback: Felipe Morais

  • http://plannerfelipemorais.blogspot.com Felipe Morais

    Lú Freitas.
    Curti muito suas entrevistas. Eu tbm faço post no meu blog desde que eles tenham relevância cm o assunto. Acho que a postura da maioria é correta. Recebeu, leia. gostou, publica. Não gostou? Deleta!

    Bjs
    Felipe Morais

    • http://www.ladybugbrazil.com Lucia Freitas

      Olha quem apareceu aqui!!!
      Bem vindo Felipe Morais abelha!
      Acho que a gente precisa mesmo publicar estas coisas, assim facilita o trabalho de todo mundo, né?
      bj

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