23
Jun
2009

Partido Pirata no Brasil-il-il-il

Partido Pirata do BrasilGraças a uma breve olhadinha ontem no Twitter, encontrei algo precioso (valeu Mario Amaya): Partido Pirata se prepara para instalar-se em terra brasilis. Através de site, fórum e wiki, a galera está se organizando para ter os 101 cidadãos necessários para a fundação do Partido. Primeiro a gente assina na Wiki, depois vai ser uma correria para assinar de verdade (porque vamos precisar fornecer título de eleitor entre outras informações bem burocráticas). Não, a galera não é favor da pirataria – e sim da livre distribuição de cultura.

O que gostei: as linhas políticas são colaborativas e precisam ser aprovadas pelo coletivo. Incluem:

  • Política sobre Patentes
  • Política sobre Copyright e acesso a Cultura
  • Política sobre privacidade e liberdades Civis
  • Política sobre Transparência Pública
  • Política sobre Inclusão Digital e erradicação do analfabetismo digital
  • Política sobre adoção prioritária de software livre nos computadores da administração pública direta e indireta
  • Política sobre acesso universal a Internet sem fio em áreas públicas como aeroportos, rodoviárias, estações de metrô, etc.
  • Política sobre a neutralidade da rede (impede a censura na rede)
  • Política sobre governo eletrônico (desburocratização do Estado com serviços públicos prestados on line)
  • Política sobre Identidade, Gênero e Diversidade (contra qualquer forma de discriminação e pela tolerância e repeito à diferença)
  • Política sobre Meio-ambiente (pela responsabilidade ambiental)

Panfletagem no Blog…

O que é o Partido Pirata?

É um movimento internacional, que surgiu em 2006 na Suécia, e hoje tem coletivos e partidos oficiais atuando em cerca de 40 países. O Partido Pirata surgiu para defender o acesso à informação, o compartilhamento do conhecimento e o direito à privacidade, ameaçado pelas tentativas de governos e corporações de controlar e monitorar os cidadãos.

Que mais defende o Partido Pirata?

Defende os direitos humanos, a transparência governamental e o compartilhamento no conhecimento, elementos fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, livre e democrática.

O Partido Pirata do Brasil defende também a inclusão digital e a construção de políticas de forma efetivamente participativa e colaborativa.

Quem participa do Partido Pirata do Brasil?

“Jovens” de todas as idades que acreditam que o compartilhamento em todas as suas formas pode ajudar a construir uma sociedade mais justa, humana e livre.

O Partido Pirata é realmente um Partido?

O Partido Pirata do Brasil não é um partido formal, não sendo sua legalização uma preocupação no momento. O que une seus membros é a defesa do compartilhamento, dos direitos humanos e da transparência. O forte do nome está em sua associação a um movimento internacional de partidos piratas, algo absolutamente novo e que soa como uma espécie de “provocação política” ao tipo de política praticado hoje, onde transparência, compromisso, ética têm sido quase uma exceção à regra.

Ao funcionar como um coletivo independente dos lobbys e partidos convencionais e atuar com base na comunicação, o Partido Pirata subverte a idéia da instituição política formal. Além disso, tem incorporada em suas práticas políticas, ferramentas e práticas modernas da Internet, que se difundem cada vez mais: como o compartilhamento, a colaboração e o foco no interesse das comunidades.

Nossa proposta é resposta ao quadro atual, em que as pessoas perderam a fé na política.

Como funciona o Partido Pirata?

Ele atua como um Coletivo, todas as propostas são discutidas com seus membros de forma aberta, participativa e colaborativa. Nossos instrumentos de mobilização e conscientização são o site, o fórum e a Intenet em geral.

Ações do Partido Pirata

Projeto ODEREZA – Atos públicos realmente públicos

Lutamos contra o projeto do senador Azeredo, que pretende acabar com a privacidade dos usuários, obrigando os provedores de acesso a armazenar os dados pessoais dos usuários (nome, RG, CPF, endereço) por três anos. Isso transformaria a Internet em um Big Brother (vide o livro “1984″, de George Orwell), passando por cima do direito humano da privacidade e potencialmente ameaçando outros direitos como comunicação e liberdade de expressão.

Como reação, propomos o projeto ODEREZA (Azeredo ao contrário), cujo objetivo é permitir que os atos públicos sejam realmente públicos. O projeto Odereza é uma iniciativa com o objetivo de dar publicidade aos atos de govenos, órgãos, servidores e políticos através do uso das tecnologias para promover a transparência na gestão pública. Ele visa tornar público o máximo de informações possíveis, sem burocracia ou qualquer tipo de entrave. O princípio é cumprir ao pé da letra o que a lei determina: que todos os atos públicos sejam de fato públicos. Esse projeto está sendo produzido de forma colaborativa. Participe também.

Projeto Escola Pirata

O projeto Escola Pirata é uma reação à intervenção da Câmara Americana de Comércio (AMCHAM) que lidera um grupo de entidades da indústria para introduzir de forma autoritária nos currículos escolares aulas sobre “pirataria”. Com o nome “Projeto Escola Legal”, o projeto começou em SP e agora se espalha por outros estados. Ademais de interferirem na proposta curricular, abordam o tema de forma enviesada, segundo seus interesses econômicos corporativos, sem procurar esclarecer os diferentes interesses envolvidos (público e privado).

O Projeto Escola Pirata visa, de forma democrática e sem qualquer imposição, defender o direito coletivo do acesso à informação e ao conhecimento. O Partido Pirata entende que não cabe à Câmara Americana de Comércio e seus parceiros da indústria educar nossas crianças. O Estado já possui instrumentos próprios para isso e profissionais que devem ser valorizados e respeitados em sua missão. A nós, sociedade civil, cabe o papel de manter a escola livre de interesses outros que não visem promover o bem comum.

Apoio às Lanhouses

Lanhouses têm tido seu equipamento apreendido em ações “antipirataria”. Estima-se que existam mais de 90 mil houses do Brasil, que promovem a inclusão digital e prestam serviços a comunidades carentes – onde muitas vezes, é o único lugar onde se pode imprimir um currículo, consultar um serviço público.

É de estranhar que a polícia civil, que mal consegue atender a população e investigar crimes como homicídios, venha mobilizando seus efetivos e recursos para prestar esse tipo de serviço a a grandes indústrias. O Partido Pirata acredita que as lanhouses e seus usuários devem ser deixados em paz e roga para que a polícia e judiciário não cedam ao poder econômico e empreguem nossos recursos públicos em atividades que sejam de interesse coletivo.

Como ajudar?

Participando de nossas discussões, de nossas ações e levando as idéias do Partido Pirata aos seus amigos e colegas. Conheça nosso coletivos, nossas ações, campanhas e iniciativas visitando o site: www.partidopirata.org

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  • Pingback: IrioMk

  • http://www.verbeat.org/blogs/cultcoolfreak Roger

    Putz!! É meu sonho…vamos encarar a briga? veja nossa plataforma: http://www.verbeat.org/blogs/cultcoolfreak/2009/02/partido-politico-por-que-nao.html

  • http://mtv.uol.com.br/cafegelado/blog/ Nenê Altro

    Achei muito legal e muito interessante.

    Com certeza vou procurar saber mais.

    Abraços Cazé!

  • http://mtv.uol.com.br/cafegelado/blog/ Nenê Altro

    Hahaha desculpa, não vi que não estava no gafanhoto.

    Abraços!

  • lamps

    “Não, a galera não é favor da pirataria – e sim da livre distribuição de cultura.”

    Não dá no mesmo?
    =D

    • http://www.ladybugbrazil.com Lucia Freitas

      Não, não dá.
      O meu conteúdo, por exemplo, pode ser compartilhado pois uso licença creative commons – exijo atribuição, uso não comercial e que você compartilhe da mesma forma.
      Eu como autora tomo a decisao de compartilhar, porque isso acrescenta para mim. Se todo mundo mantivesse para si o que cria não teríamos wordpress, drupal, magento ou open office, só para citar alguns programas que são desenvolvidos colaborativamente, distribuidos de graça.
      Sem falar nos antivirus como avast e AVG que tem suas versões free e, graças à comunidade, conseguem defender milhares de usuários dos males que andam a solta. repense.

  • lamps

    Piratear algo não seria compartilhar, ainda que quebrando vez por outra direitos de exploração?

    Copiar sem dar créditos ao autor não é pirataria, é plágio. Certo?

    Quanto à participação da comunidade no Avast e no AVG, essa participação se restringe ao envio de amostras para os fabricantes, como ocorre em qualquer software, ou tem algo a mais nos programas que eu não conheço? Porque eu dei uma conferida aqui na boa e velha wikipédia, e vi que a licença dos dois softs em questão é proprietária. =(

    • http://www.ladybugbrazil.com Lucia Freitas

      eu tô gostando deste comentarista a jato, com bandeira do Partido Pirata, me questionando…
      vou do meio pro fim e depois volto ao começo.
      Copiar sem dar créditos é plagiar. mas se o autor não permite uso (copyright) você não pode usar nem com o crédito, por princípio, a não ser que ele autorize expressamente o uso.
      O WordPress e o Drupal são proprietários? AVG e Avast podem até ser registrados e ter “dono”, mas são distribuidos em versão gratuita. Vc já viu Windows de graça que não seja a versão “alternativa” ou “piratex”?
      A grande questão é que hoje, qualquer um que baixa um mp3 na rede, para ouvir no computador/celular/onde seja é chamado de pirata, não? Agora esta história de quebrar direito de exploração é muito para esta pequena joaninha. Realmente meu conhecimento de direito não vai tão longe assim…
      Bem-vind@ lamps. Tô gostando deste conversê.

  • lamps

    HEehehhe, dia tranquilo no trampo. Então dá pra monitorar o emeio bem. Sou membro do “partido pirata” desde 2007 ou 2008. =]

    Chegamos ao ponto: Uma proposta dos partidos piratas *é* descriminalizar a pirataria. Descriminalizar o download de filmes, de músicas e – com muito menos ênfase – de software.

    WordPress e drupal, pelo que eu me lembro, são softwares livres. Código aberto, qualquer um pode editar. =D

    AVG e Avast são softs proprietários, ambos contando com versões pagas, e usando o modelo de negócio de oferecer uma versão gratuita com limitações (grandes limitações, no caso desses 2 softs).

    Sim, hoje todo mundo que baixa filmes e músicas na rede é chamado de pirata. Parte dessas pessoas se orgulha disso. P-]

    Adicionando rss….

    • http://www.ladybugbrazil.com Lucia Freitas

      hahahahahaha – suspeita confirmada.
      Eu adorei a iniciativa de criarmos o Partido Pirata no Brasil. sim, também sou – quem não é? – e democratizar a entrada/difusão de conhecimento e informação. Entrentanto, tenho de reconhecer que não tenho nada contra a propriedade de um bem produzido com suor, neurônios e conhecimento. Nadica. Acho muito justo que a gente receba pelo que produz – pra não dizer que é necessário e fundamental.
      E aí acho que cabe a gente conversar como é ganhar distribuindo. O José Fontainhas, da comunidade WordPress, soltou uma frase ótima durante o WordCamp-BR: Tudo o que não dás, perde-se. (via Felipe Gomes, link está no Achados na web #55). Concordo em gênero, número, grau e tamanho. Mas quero seguir com banda larga, computador bacana, smartphone e o que mais o meu desejo inventar… aí, na questão econômica, é que acho que a história pega. Se a gente não criar um jeito viável para os criadores – como o CC – para distribuição/compartilhamento, o trem desanda, porque todo mundo quer viver do que produz, não?

  • lamps

    Como seguir vivendo e se adaptando à tecnologia (que tornou os CDs inúteis, por exemplo) é o desafio de quem estuda o tema. Ou um dos desafios, sei lá.

    Há o mundo da música, onde a remuneração por shows e afins parece abrandar o dito “problema” de não ser remunerado pela venda de uma cópia da obra. Há indústrias onde as coisas são mais difíceis, como os jogos offline, ou os filmes blockbusters.

    Em ramos como o software, o soft livre é um fenômeno amplamente conhecido e documentado, além de ser um absoluto sucesso. Ganha-se no desenvolvimento de tecnologias melhores (os melhores cérebros estarão quase sempre fora das fronteiras da sua empresa, de acordo com o velho Tapscott) e no barateamento de todos os ramos que precisam do software X como base para operar. É por isso que o Apache é o servidor web mais usado do mundo, e dficilmente seria muito usado e muito bom se não fosse livre.

    Acho que com o relaxamento desse modelo de propriedade intelectual que a gente segue, um ou outro modelo de negócio vai acabar caindo: Não dá pra salvar tudo, a sociedade vai acabar fazendo escolhas com o passar das décadas. Pra consolar, resta a frase que eu ouvi do Capi Etheriel (outro pirata): “Pirâmides são lindas, mas não estou disposto a ter escravos só pra voltar a fazer pirâmides”. Ou algo parecido. Aliás, a frase não era do capi, ele apenas a repetiu pra mim. Curioso como a gente não “cria” quase nada do que usa, mas comumente quer cobrar pelo que cria. Heheeheh

    • http://www.ladybugbrazil.com Lucia Freitas

      E não é? A gente copia um tanto, mexe um tanto e passa pra frente. Nós seres humanos, diz minha professora (aqui, olha: http://www.laboratoriodoprocessoformativo.com) somos feitos para cooperar – mas a cooperação exige maturidade, que nem todo mundo tem. Tô adorando esta conversa, mesmo. E com uma vontade danada de fazer um post a partir dela. Entrevisto-te? o que achas?

  • lamps

    Por mim, blza.

    Esse papo me lembra o Thomas Jefferson. Mais sobre propriedade intelectual: http://www.obs.obercom.pt/index.php/obs/article/viewFile/92/139

  • Diogo Abdalla

    Tô dentro!

    • http://www.ladybugbrazil.com Lucia Freitas

      Bem-vindo. eu também adorei a idéia.

  • Pingback: 6emeia

  • Pingback: andrecastilho

  • Pingback: Diogo Abdalla

  • Pingback: regisfrias

  • Pingback: coxao

  • Pingback: Voz do Além

  • Pingback: Paulo Barbeiro

  • http://jefp.net José Eduardo Porcher

    Olá! Este post é um ótimo acompanhamento para o FAQ no site do Partido (http://www.partidopirata.org/node/53), certamente irei repassar!

    Para os usuários de Facebook: estamos começando hoje a difundir por lá o Partido, que ainda é pouco conhecido mesmo por pessoas que simpatizam com suas idéias – http://www.facebook.com/group.php?gid=97730949316&ref=mf

    Saudações!

  • http://www.raquelcamargo.com Raquel Camargo

    uau, uau, e uau de novo. Será que vai? Tõ tão cética ultimamente, mas essa aí até deu uma fincadinha de esperança rs
    bjoo

  • Pingback: Por dentro do Partido Pirata do Brasil | Ladybug Brasil

  • Pingback: james penido

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