06
Feb
2008

Vai papel ou bite? E-book sai pela metade!

Livraria Cultura - Conjunto NacionalFui ver o post do Jorge Rocha, no Exu Caveira e dei de cara com o primeiro livro sobre jornalismo em séculos que me interessa de verdade: Daqui desse Lugar, do Vitor Menezes. Na página, encontro a seguinte informação: edição impressa, de R$ 36 por R$ 29,00. Edição eletrônica R$ 14,00… OPA!
Entrei em contato com a e-paper, a editora responsável, na mesma hora. Show de bola esta história de edição eletrônica. Tem tudo a ver com o post que deixei lá no Faça a sua Parte, sobre parar de usar papel para difundir informação, principalmente os jornais impressos e gratuitos que acabam (na Inglaterra e aqui também) por servir como entupidor de bueiro.
Para minha surpresa, recebi bem rápido uma resposta da E-Paper. Veja as respostas de Ana Cláudia Ribeiro às perguntas da Joaninha:
1. Eu não vejo esta prática em lugar algum no Brasil. Por que? Qual a vantagem da edição eletrônica?
Eu ofereço as duas versões (impressa e eletrônica). Da maneira que a E-papers trabalha (que eu considero
sui-generis) a versão eletrônica é um fac-símile da versão impressa:
diagramação, numeração de páginas, etc. Fazer desse jeito custa $,
então talvez alguns não achem interessante. Eu cobro pelo versão
eletrônica, em geral, a metade do preço do impresso, para encorajar os
usuários principalmente. Essa versão tem alguns custos, principalmente
o que os economistas chama de “custos de transação”, mas o fato de
dispensar a impressão possibilita que seja mais barata. E mais
ecológica, claro.
Como vantagens (sempre pensando em termos de Brasil) eu lembro que
a entrega é muito mais rápida e não se cobra frete, o que pode ser
complicado no interior. Também possibilita busca por palavra-chave no
conteúdo, que ajuda muito nas pesquisas. E é bem mais fácil de
carregar na mudança :-)

2. Tem alguma desvantagem para vocês como editora?
A desvantagem, claro, está relacionada à pirataria. Acho eu que
isso também desencoraja as editoras grandes. Mas pensando que se tiram
milhares de cópias xerox nas universidades, eu diria que a impressa
também sofre com este mal.

3. E para o autor (quais as vantagens/desvantagens)?
O autor, em geral, recebe o mesmo valor para as duas versões,
então não vejo diferenças. Ele pode inclusive citar o livro em sala de
aula, que o aluno vai encontrar direitinho a citação no eletrônico.

4.A implantação deste sistema foi custosa?
Do jeito que ele está hoje, sim. O sistema que usamos aqui é todo nosso, diferente de outros, e levou alguns anos sendo
aperfeiçoado. Vamos lançar, breve, um novo sistema que vai permitir que
as bibliotecas também comprem eletrônicos (hoje isso não é possível).

5. Quais as resistências que vocês enfrentam? (tendo a acreditar que toda inovação sofre resistência…)
No início, muitas. O eletrônico era quase experimental, somente
os mais ousados adquiriam. Os autores, também, era mais resistentes,
tinham medo da cópia. Hoje, como estamos mais conhecidos, e mais gente
usa, tem alguns livros que vendem 70% eletrônico e 30% somente de
impresso. Tenho pouquíssimos autores hoje que não oferecem eletrônicos
como opção de venda. Eles também perceberam que cópia por cópia, tanto
faz ser xerox ou pen-drive… E o preço mais baixo do eletrônico
elimina a desculpa padrão do aluno para a cópia: “o livro é caro”.
Fica a dica – do livro e da editora. Aliás, um passarinho me contou que tem um blogueiro no meu blogroll que vai lançar livro pela E-Paper. Alguém arrisca um palpite?

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Categorias:
ecologia, entrevista, noticias, Rede Ecoblogs, sustentabilidade, tecnologia, web/blogosfera
  • http://www.qualidadesonora.blog.br Ostrock

    realmente uma atitude corajosa que merece ser louvada, não conhecia a editora mas vou dar uma olhada no catálogo.

    Muitos livros de direito poderiam ser vendidos dessa forma, além de baratear facilitaria a vida, eu tenho sempre comigo a cf e a lda

    Ps: saudades da livraria cultura hehehe

  • http://www.jonnyken.com/infoblog Jonny

    Caramba!!!

    Quem sabe com a difusão daqueles leitores de pdf portatil esses e-books não começam a fazer sucesso.

    (não, não dá para ler um livro no smartphone… cansa a vista)

  • http://jacacarambola.wordpress.com

    Sempre achei interessante e-books, mas para nós pobres pedestres que se utilizam dos coletivos urbanos, o livro físico ainda é tão útil… rsrsrs.
    Brincadeiras a parte, creio que todas as livrarias deveriam aderir à essa tendência. Encorajaria os livros “físicos” a baixarem seus preços e a terem uma competição saudável (estou sendo otimista, ok?) – não foi o que aconteceu com a indústria fonográfica, infelizmente. (me dou o luxo de comprar livros em inglês por ser mais barato do que as versões nacionais – é um absurdo!)

  • Nephita

    A primeira coisa que lembrei quando li este post foram os montes de revistas veja, de anos, que meus pais guardavam.

    Já há alguns anos eu aboli livros em papel aqui em casa. Se tenho que comprar, compro em arquivo e deixo no micro. Difícilm de achar? Não, em Inglês tem tudo o que você imaginar.

    Tem muitas vantagens: é limpo, não empoeira e não amarela, não ocupa espaço, dá pra emprestar pros amigos sem voltar com marcas de dedos, dá para pesquisar! Prefiro o formato PDF pq pode anotar sem alterar a cara do documento.

    Tinha algumas estantes de livros aqui em casa, limpei tudo, só deixei o que tem valor sentimental, os antigos e os tão específicos que dificilmente terão uma versão digital.

    Olhava para a cara do livro e me perguntava: Vou ler isso de novo? Há alguma possibilidade de precisar disso nos próximos 2 anos? Se a resposta fosse não, já era, virou doação.

    Material técnico? Hoje em 5 minutos de google acho coisas mais atualizadas, sem poeira, e sem ocupar espaço. Foi tudo embora.

    Quando recebo algo no trabalho em papel, eu me sinto na obrigação de escanear e guardar o arquivo.

    Sim, backup sempre, e viva a modernidade!

  • Lucia Freitas

    Ostrock: Livraria Cultura está aqui. Venha! E é corajoso, mesmo. Pq digital é assim: está em tudo, moleculariza, cria novos rumos. É importantíssimo ter os arquivos e garantir sustento de editoras e autores.
    Jonny: tomara que eu venda mais dois kindle com o boo-box. opa! esqueci de colocar :D É pra já.
    Zé: acho que a questão da indústria fonográfica é outra. Pq além do cantor/compositor tem uma teia de relações de autoria que é pra lá de complicada. E eles já se perderam na rede. Nova tecnologia é isso: ter que mudar de paradigma, jeito de funcionar, comportamento. E cá entre nós, tem coisa melhor que encontrar um lindo Yo-Yo-Ma à solta? Só não acho lindo ter que pagar R$ para ter uma faixa no meu micro…
    Nephita, uau! vc está à frente do seu tempo. Mesmo. Conheço pouquíssimas pessoas assim. Eu mesma ainda tenho muitos livros aqui em casa. Vou colocar teu exemplo em prática.

  • Pingback: danielbender

  • http://www.faneinbox.com Fanny Webber

    Por mim literatura podia ser transportada em garrafas que eu iria adorar também. Gostei dessa iniciativa. Mas acho que por hora ficarei com os de papel, não tenho nenhum conhecimento sobre os pdf portateis. ;S

  • http://diadefolga.com Lu Monte

    Boa entrevista, Lu! E uma visão prática sobre a pirataria. Imagina, nos cursos de Direito a cópia via xerox de textos é incentivada… e temos bibliotecas, empréstimos entre alunos. Quem não quer, não vai comprar mesmo; quem quer, ganha mais uma opção.

    Linda a foto da Cultura, espero estar por aí logo. Saudade!

  • Lucia Freitas

    Oi, Fanny
    Não precisa conhecimento, basta ter o equipamento. Um bom PDA resolve o assunto com grande graça.
    Lu,
    Esta questão do xerox-pirataria é tão velha, mas tão velha que todo mundo dá de barato. Ninguém presta atenção e talz. Só acho o fim a gente não poder copiar (e recolher os direitos do autor) quando a obra se esgota. Aí é pra morrer de cataporinha, né não?
    S. Paulo também está com saudades de ti. Inclusive alguns focinhos peludos… ;)

  • http://www.visaopanoramica.com/ Arthurius Maximus

    Acho que os e-books não emplacaram ainda porque a maioria acha muito ruim ler no micro. E, dependendo do livro, se você imprimi-lo em casa, gastará mais do que comprando-o.

    Ainda prefiro o papel. Apesar de ter publicado meu primeiro texto por via eletrônica.

  • Pingback: E-scritores de plantão « Jaca Carambola

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